Depressão é uma doença médica grave, muito comum, que pode ser extremamente incapacitante.

Viver deprimido é algo avassalador, ninguém consegue sozinho, por esse e outros motivos é importante criar uma rede de apoio para lidar com essa doença. Conversar e compartilhar as dificuldades que enfrentamos nos fortalece. Amigos e familiares são pessoas interessadas no nosso bem-estar e muitas vezes oferecem o apoio necessário em momentos difíceis como esse. Grupos terapêuticos podem ser uma alternativa para compartilhar experiências, sentimentos, informações e estratégias para lidar com o problema.

Com acompanhamento médico e cuidados adequados, podemos fazer um tratamento simples e efetivo, retomando a qualidade de vida e bem-estar em um curto espaço de tempo.

Se você conhece alguém que está deprimido, isso também pode te afetar de alguma forma. A coisa mais importante a fazer é levar essa pessoa para uma consulta com um especialista. Em alguns casos é necessário tomar iniciativa, marcar a consulta e acompanhar fisicamente a pessoa até o local.

O que fazer?

  • Converse e principalmente, escute atentamente
  • Ofereça apoio emocional
  • Compreenda o sofrimento
  • Aponte possibilidades de melhora e cuidado
  • Ofereça esperança
  • Estimule (exercícios leves, saídas…). Continue tentando caso haja negativa, sem forçar muitas coisas em um curto espaço de tempo
  • Marque uma consulta, acompanhe quando necessário
  • Reassegure que com tratamento e tempo a depressão vai melhorar
  • Esteja presente sempre que possível

O que não fazer?

  • Fazer cobranças por melhora
  • Infantilizar a pessoa, tratando-a como se ela fosse criança
  • Desistir de ajudar
  • Menosprezar sentimentos
  • Ignorar falas sobre suicídio

Seja otimista

Quem está deprimido deve ser incentivado, de uma forma adequada, a fazer pequenas coisas. Ao mesmo tempo, temos que respeitar sua necessidade de ficar mais quieto e reconhecer alguns limites. Entretanto, nada impede que possamos desenvolver alternativas juntos para desviar das barreiras que essa doença pode colocar. Se existe uma negativa em relação a uma atividade ou horário, flexibilize, facilite, dê alternativas, lembrando que o principal é o início e que posteriormente essa ação se perpetue, não seja algo pontual.

Mudar o foco

A depressão tira as cores e a alegria da vida, afeta como nos percebemos, nossa autoestima, o interesse e a esperança. São comuns as ideias negativas e uma visão mais pessimista da vida, além de um pensamento prevalente quanto a morte.

  • O que fazer diante disso?

Após ouvir com atenção, procure não julgar e ajude a pessoa a ponderar, lembrando-lhe de que está tendo sentimentos e conclusões influenciados pela depressão. Procure valorizar qualidades e realizações pessoais de outros tempos com as ideias e os sentimentos negativos atuais.

Isso não significa convencer por insistência. Ao tentar demover as distorções provocadas pela depressão, faça observações com calma, afeto e concisão. Procure mudar o foco e mostrar possibilidades positivas.

Acompanhar o tratamento

Se ofereça para acompanhar a pessoa nas consultas, busque conversar com o psiquiatra (se possível), para esclarecer dúvidas e auxiliar em relação a aderência ao tratamento.

Quando possível:

  • Se ofereça para auxiliar com a medicação (lembretes, controle, organização…)
  • Se ofereça para agendar consultas e/ou lembrar compromissos
  • Estimule o esclarecimento de dúvidas
  • Busque facilitar aspectos práticos do dia a dia

Pensamentos suicidas

Algumas vezes a morte passa a ser vista como a única saída para um sofrimento intenso e sem fim aparente. Algumas frases e comportamentos podem sinalizar um risco de suicídio, devemos nos atentar e valorizar a suspeita.

O risco é maior quando:

  • Existe o diagnóstico de alguma outra doença (ansiedade, uso de substâncias, doenças clínicas…)
  • Já houve tentativa de suicídio no passado
  • Houve alguma perda importante recente (divórcio, demissão, morte…)
  • A pessoa tem acesso a meios para por fim a sua vida

Diante de qualquer dúvida, o psiquiatra e/ou psicólogo devem ser contatados. É melhor dividir a preocupação do que assumir a responsabilidade do pacto e silêncio. Nesses momentos mais preocupantes é importante:

  • Não deixar a pessoa sozinha
  • Retirar qualquer coisa que possa utilizar para se machucar de seu acesso (medicações, venenos, armas…)

Cuidar de uma pessoa deprimida não é uma tarefa fácil. Não tente assumir o papel de um profissional nesses cuidados, saiba quais são os seus limites e não abra mão da sua individualidade. Peça apoio para amigos e/ou familiares sempre que houver a necessidade.