Um número crescente de estudos mostra a associação entre depressão e inflamação. As conexões são complexas e até o momento não são inteiramente conhecidas. A compreensão detalhada dessas comunicações é relevante para melhor tratarmos os pacientes que sofrem com essa doença, principalmente aqueles que são refratários ao tratamento convencional.

Inflamação é uma resposta natural do nosso organismo, um mecanismo de defesa que pode ter ação aguda e crônica.

A inflamação aguda se apresenta geralmente em resposta à um insulto ao nosso organismo, como lesões e infecções. É possível notar algumas alterações no local acometido, como vermelhidão, inchaço e calor local. A inflamação crônica pode ocorrer em resposta a substâncias no organismo, como toxinas da fumaça inalada do cigarro ou o excesso de células adiposas (gordura).

A inflamação pode afetar o funcionamento cerebral e comportamento de uma pessoa, assim como a sua resposta ao tratamento médico instituído. Em alguns casos, como na depressão, a inflamação pode ter um papel de destaque para algumas pessoas, mas não para todos. Essa diferença pode ser a responsável pelo sucesso ou não do tratamento convencional em pessoas depressivas.

A medicação mais comumente prescrita em quadros de depressão é o inibidor seletivo da recaptação de serotonina (ISRS), como o nome diz, age através da modulação da serotonina cerebral. Essa medicação trás benefícios para muitas pessoas que vivem com depressão, mas não funciona para todos os casos. Existem diversas alternativas para manejo farmacológico da depressão, mas, mesmo assim, aproximadamente 1/3 das pessoas com depressão é refratária ao tratamento.

As conexões entre depressão e inflamação provavelmente são bidirecionais. Isso significa que um padrão inflamatório (geralmente crônico) é um fator de risco muito importante para depressão, e um quadro depressivo contribui diretamente para um estado inflamatório.

Existe uma diferença na repercussão entre os sexos. Um estudo recente descobriu que sintomas depressivos eram fatores preditivos de um quadro inflamatório em homens, mas não em mulheres. Esse mesmo estudo mostrou que a inflamação piorava sintomas depressivos nas mulheres, mas não em homens. Podemos concluir que, devido uma interação importante de sintomas depressivos com quadros inflamatórios, se conseguirmos tratar efetivamente um dos lados, o outro consequentemente tende a melhorar junto, o impacto é um ganho de saúde global.

Novos estudos são necessários para elucidar ainda mais essa questão. A partir dessa descoberta, poderemos pensar em novas alternativas para tratar um quadro depressivo, como medicações de ação anti-inflamatórias.

O que fazer

Existem diversas estratégias não farmacológicas que podem reduzir a inflamação e propiciar uma melhora global da saúde.

  • perda de peso
  • exercícios físicos
  • sono adequado
  • meditação e yoga

Alguns alimentos podem fazer a balança pender para um lado ou outro.

Alimentos que são ruins à saúde e podem contribuir para inflamação:

  • Carboidratos refinados (pão branco e pasteurizados)
  • Comida frita
  • Carne vermelha (hambúrguer) e carne processada (salsicha, linguiça)
  • Refrigerantes e bebidas adocicadas
  • Margarina e gorduras

Alimentos que podem combater a inflamação e prover melhorias à saúde incluem:

  • Vegetais de folhas verdes (espinafre, brócolis)
  • Nozes, amêndoas e castanhas
  • Peixes (salmão, atum, sardinha)
  • Frutas (morango, cereja, laranja, amoras)
  • Tomates
  • Azeite de oliva

Enquanto existem muitas perguntas sobre como esse processo ocorre, novos estudos sobre depressão e inflamação podem auxiliar no tratamento, principalmente de casos refratários.