Pesquisar os sintomas de uma doença, medicamentos ou recomendações associadas na internet pode ser uma prática extremamente perigosa para a saúde.

Utilizar esse recurso é, sem dúvida, mais confortável do que enfrentar filas no hospital ou marcar horário em um consultório médico, sem contar que é gratuito. Mas, será que é uma ferramenta efetiva? Segura?

Realidade atual

O Google recebe mais de 1 bilhão de perguntas relacionadas à saúde por dia, o que corresponde a 70mil perguntas por minuto e cerca de 7% das pesquisas diárias dessa plataforma.

Diversos sites especializados oferecem serviços automatizados de checagem de sintomas para elaboração de diagnósticos. Entretanto, essas operações fornecem resultados errados em impressionantes, 74% dos casos. Mesmo quando expandimos o olhar e focamos nas 3 principais hipóteses levantadas por esses instrumentos, o percentual de acerto é de somente 52%.

Uma alternativa plausível seria utilizar esses sites como ferramentas de triagem, para que as pessoas não sobrecarreguem o sistema de saúde ou se exponham ao ambiente hospitalar de forma desnecessária, certo? Não! Infelizmente, a taxa de conselho para busca de atendimento médico presencial é correta em menos da metade dos casos.

Para pessoas que não tem conhecimento aprofundado, a recomendação fornecida ou o diagnóstico apresentado podem parecer corretos. Em casos graves, isso pode atrasar o cuidado adequado à saúde e causar repercussões extremamente negativas.

O consenso popular de que “se eu li na internet então deve ser verdade”, gera um risco enorme na forma como interpretamos a informação disponível. Atualmente, não existe transparência ou validação sistemática na forma como sites adquirem informações ou manejam o conteúdo que publicam, portanto, não temos segurança para confiar cegamente em tudo que está escrito.

Malefícios

Pesquisar problemas de saúde na internet pode nos fazer sentir pior e contribuir para desinformação. Os resultados podem ser confusos e sem discernimento adequado estamos sujeitos a suposições erradas.

A busca por informações online pode passar uma sensação de segurança falsa. As informações são interpretadas de forma segmentada, o contexto é excluído, não se sabe nada sobre antecedentes ou outros sintomas, dados extremamente relevantes para a compreensão do problema de uma forma clara.

Pacientes suscetíveis ou impressionáveis podem sofrer com efeito nocebo (oposto do placebo). Por exemplo, quando buscam efeitos colaterais de certos medicamentos, estão mais propensos a apresentar intolerância às substâncias pesquisadas por terem visto o que pode acontecer.

Além dos problemas mencionados acima, a busca por informações na internet pode expor pessoas desavisadas. Na pesquisa você compartilha informações pessoais e de saúde que podem ser utilizadas por terceiros (como empresas e sites), para personalizar propagandas futuras. Até o momento essa prática é legal, e não existe supervisão suficiente para regular como esses dados devem ser interpretados, compartilhados, preservados ou utilizados.

Não deixe de ir ao médico

Apenas o profissional de saúde qualificado tem o conhecimento necessário para avaliar a sua condição, diagnosticar e orientar o tratamento adequado.

Dicas para pesquisa segura

Discuta com seu médico para se informar melhor sobre a sua doença ou esclarecer dúvidas em relação a medicamentos. Se tiver interesse solicite conteúdo complementar. Busque informação somente em sites vinculados ao governo ou serviços de referência (como hospitais e centros de pesquisa).

Referências: