Transtorno mental é uma doença que envolve mudanças emocionais, no pensamento ou comportamento (ou até mesmo uma combinação destes). São associadas a sofrimento e/ou prejuízos no funcionamento social, trabalho e relacionamentos familiares.

Transtornos mentais são extremamente comuns. Não são motivo de vergonha, discriminação ou isolamento. Devem ser interpretados como um problema de saúde como qualquer outro, assim como diabetes e hipertensão. Entretanto, a realidade é que o estigma impede que as pessoas busquem ajuda e essa postura modifica a evolução da doença, cronificando sintomas, causando danos pessoais enormes e consequentemente a sociedade, que perde um cidadão produtivo e funcional.

 

Devemos promover ajuda sempre que possível, pois a imensa maioria dos transtornos mentais tem tratamento, permite o resgate da qualidade de vida e produtividade do indivíduo.

 

 

Saúde mental

 

Envolve funcionamento cotidiano efetivo que resulte em:

 

  • Atividades produtivas (trabalho, ensino, cuidado de terceiros…)
  • Relacionamentos saudáveis
  • Habilidade para se adaptar a mudanças
  • Ferramentas para lidar com adversidades

 

Saúde mental é a base para o amadurecimento de emoções, pensamentos, comunicação, aprendizados, resiliência e auto estima. É a chave para o desenvolvimento de relacionamentos sustentáveis, bem estar pessoal, emocional e consequente contribuição para sociedade.

 

 

Transtorno mental

 

Se refere a qualquer diagnóstico de adoecimento mental, envolvendo:

 

  • Alterações do pensamento, emoção e/ou comportamento
  • Sofrimento e/ou dificuldades no desempenho social, laboral ou familiar

 

Geralmente evoluem a partir de um desenvolvimento cerebral atípico. São associados a alterações genéticas e insultos variados, como negligência, trauma e abusos durante a infância, estresse e uso de substâncias. O dano cerebral em períodos críticos de desenvolvimento promove alterações da arquitetura e funcionamento cerebral, resultando em uma maior vulnerabilidade a doenças.

 

Diversas pessoas que sofrem com transtornos mentais não tem vontade de conversar sobre isso. O estigma é enorme e em muitos casos, maior para a própria pessoa do que para os que estão a sua volta.

 

Transtorno mental não discrimina, ele afeta qualquer pessoa, independente da sua idade, gênero, procedência, renda, classe social, etnia, religião, orientação sexual, antecedentes ou qualquer aspecto de identidade cultural. Apesar de acometer qualquer faixa etária, ¾ de todos os transtornos mentais iniciam antes dos 25 anos de idade, sendo que metade dos casos ainda na infância.

 

Transtornos mentais tem diversas formas e apresentações. Alguns são leves e só interferem em aspectos limitados do cotidiano (como fobias específicas), outros transtornos são tão severos que chegam a ser incapacitantes, a ponto da pessoa necessitar internação e cuidados multidisciplinares.

 

 

Diagnóstico

 

As vezes é difícil diferenciar se o que está acontecendo é uma doença ou algum outro tipo de problema relacionado ao humor ou pensamento. Em algumas situações é esperado que haja uma mudança, por exemplo, um período de tristeza intensa é normal quando perdemos um ente querido. Mas, se essa alteração de humor persiste e causa sofrimento a ponto de interferir no funcionamento habitual de uma pessoa, é necessário uma avaliação detalhada. Amigos e familiares podem reconhecer os sinais de alarme antes que a própria pessoa.

 

Alguns transtornos podem ser relacionados a problemas físicos ou se apresentar como se fossem uma doença clínica. Um exemplo comum é a associação de sintomas depressivos com uma doença tireoideana. Antes de formalizarmos um diagnóstico psiquiátrico a avaliação clínica de um paciente deve incluir exame físico e a realização de exames complementares, quando houver suspeita ou indícios de doença clínica subjacente.

 

É necessário levar em consideração que as queixas e apresentações podem ser distintas, de acordo com o padrão cultural e origem do paciente.

 

 

Tratamento

 

A melhora de sintomas e a cura na maioria dos casos é extremamente factível, entretanto, os benefícios somente podem ser alcançados pelos pacientes que buscam auxílio.

 

A necessidade de tratamento deve ser considerada de acordo com a severidade dos sintomas, com os prejuízos e impactos que ocorrem na rotina da pessoa. A estrutura do tratamento deve ser baseada em um plano individualizado, desenvolvido em conjunto com o paciente. Pode incluir psicoterapia, medicações ou outras estratégias de tratamento. Geralmente a combinação de estratégias confere maior eficácia e rapidez na resposta. Modificações do estilo de vida, como alimentação balanceada, pratica regular de exercícios físicos e sono regular são a base de um tratamento sólido e recuperação a longo prazo.

 

A participação ativa de familiares e pessoas próximas é fundamental. Permite que o psiquiatra entenda melhor o contexto no qual o paciente está inserido, que personalize o tratamento e forneça as ferramentas necessárias para lidar com as dificuldades do ambiente.