A abordagem multidisciplinar – incluindo exercícios físicos – pode trazer grandes benefícios

 

Ansiedade e depressão são transtornos que possuem relação entre si, mas têm causas, sintomas e tratamentos distintos. Ainda assim, é possível que uma pessoa desenvolva ambos os transtornos, com grandes prejuízos à sua saúde emocional e até mesmo física. Além disso, o impacto desses transtornos pode atingir trabalho e relações interpessoais.

Não existe um único fator – ou fatores – pré-determinados que causem ansiedade ou depressão. Sabe-se, contudo, que questões genéticas e ambientais podem ser responsáveis pelo surgimento dos transtornos.

 

Ansiedade e depressão podem ter caráter agudo ou crônico – quando se tornam presentes por toda a vida – mas, em ambos os casos, é fundamental que seja realizado acompanhamento médico por uma equipe especializada e, sempre que possível, multidisciplinar.

 

O que é ansiedade?

 

Ansiedade é um estado emocional normal, caracterizado por sentimentos de tensão e preocupações. Naturalmente, a ansiedade está presente em todas as pessoas, e nos permite fazer planos e executar ações.

Quando se apresenta de forma contínua, intensa e inviabilizando a tomada de atitudes, a ansiedade pode ser considerada um transtorno, demandando atenção médica. Pessoas com esse tipo de transtorno podem apresentar sintomas de ordem física e psicológica.

De acordo com dados da OMS, aproximadamente 19 milhões de pessoas no Brasil convivem com algum tipo de transtorno de ansiedade. Ansiedade é o transtorno mental mais prevalente no mundo e muitas vezes negligenciado, com tempo de espera até busca de tratamento chegando a 2 décadas.

O que é depressão?

Transtorno emocional, a depressão se caracteriza por sentimentos de profunda tristeza, diminuição do prazer para atividades anteriormente prazerosas, sensação de menos valia, alterações de sono e apetite, entre outros fatores que impactam diretamente na vida da pessoa acometida.

 

A depressão é considerada uma doença multifatorial. Isso significa que ela possui diversas causas, como aspectos biológicos, genéticos, psicológicos e ambientais.  Atuando diretamente nas emoções dos indivíduos, ela causa alterações de humor e de comportamento, trazendo graves prejuízos ao dia a dia de quem convive com o transtorno.

 

A doença é causada por alterações químicas cerebrais, quando neurotransmissores como noradrenalina, serotonina e dopamina não estão equilibradas e causam desregulação da função cerebral, com alterações do padrão inflamatório cerebral e até mesmo hormonal.

 

Episódios de vida, como acidentes, falecimentos ou perda de emprego, entre outros, podem também desencadear a doença.

Dados da OMS indicam que cerca de 11 milhões de pessoas no Brasil convivem com a depressão. Sem acompanhamento médico adequado, ela pode gerar grandes prejuízos e atualmente é a principal responsável por diminuição da qualidade de vida e problemas relacionados ao desempenho profissional.

 

Atividades físicas podem ser benéficas

A prática regular de atividades físicas pode trazer melhoras no humor e na autoestima, auxiliando em grande parte no tratamento de doenças emocionais, como a ansiedade e a depressão.

 

Existe consenso sobre a quantidade mínima necessária de atividades físicas, estamos falando de 150 minutos por semana de atividade física moderada, ou 75 minutos por semana de atividade física intensa. Divididos em 1 semana são números factíveis para prática regular, variando de 10 a 20 minutos diários. Estudos mostram que quanto maior a frequência e tempo na atividade, maiores são os benefícios.

 

Especialistas recomendam que a prática leve em consideração o nível aeróbico de cada pessoa e que, em casos de sedentarismo, é indicado iniciar com práticas mais curtas, de 5 a 10 minutos diários. Além disso, recomenda-se que as modalidades escolhidas sejam aquelas que as pessoas se identifiquem, não existe restrição nesse aspecto, o principal é se movimentar. Dois a três dias por semana são uma ótima forma de iniciar.

 

Hábitos saudáveis são fundamentais para a manutenção da saúde e do bem-estar, e estão ligados também ao controle de transtornos emocionais. Os cuidados consigo mesmo passam, também, pela adoção desses hábitos.